Reduto das Grandes Empresas
Dia a dia, eles estão perdendo a luta contra o tempo e desabando.
Mas, o conjunto arquitetônico da Praça Oswaldo Cruz, formando por 14 pelos prédios, um dia abrigou os escritório de algumas maiores empresas estrangeiras dos tempos áureos do comércio da borracha.
Histórico
Pesquisas incertas concluem que os prédios devem ter sido construídos num mesmo período no fim do século 19, unidos como se fosse um só. Porém, pertenciam a donos e empresas distintos.
A Praça Oswaldo Cruz, na região conhecida como terminal do centro, ou da Matriz, é uma área muitíssimo movimentada da cidade, não diferente dos anos finais do século 19 e início dos 20, quando abrigou o terminal de bondes. Também na região estavam localizadas as principais empresas exportadas, armadores e bancos, que movimentam o comércio da borracha.
De acordo com pesquisas feitas pela arquiteta urbanística Márcia Honda Nascimento Castro, em 2002, o primeiro dos prédios talvez indique o período aproximado de inauguração dos demais, pois apresenta o ano de 1894 gravado em sua platibanda. Esse prédio é o maior dos cinco, com dois andares. Em sua fachada, voltada para o rio, apresenta 14 janelas no andar de cima. No térreo, o destaque fica para a grande porta de entrada, ladeado por doze outras portas menores, seis de cada lado da porta principal. A primeira utilização que se sabe desse prédio foi pela empresa B. A Antunes & Cia. Comissões, consignações, importadas e exportadores.
Esmero na construção
O segundo prédio é menos expressivo dos cinco, pois sua arquitetura se confunde com a do primeiro, sendo, porém, bem menor que aquele. Possui dois andares e não está de frente para o rio, tendo apenas três janelas no andar superior e três portas no térreo.Tão inexpressiva é essa edificação que não se sabe o que nela funcionou.
O terceiro prédio é um pouco mais largo apresentado quatro portas no térreo e quatro janelas no andar superior. Também tem, em alto-relevo, o possível ano de sua inauguração, de 1900, num brasão localizado dentro de um frontão encimado por bela ornamentação. Um anúncio do início do século 20mostra que o prédio abrigou uma agência do Banco do Brasil. Nele também funcionou o tribunal de contas do pequeno trabalhador.
Boothline e Praça do Comercio
Sem dúvida alguma, o quarto prédio é o que mais chama a atenção e caracteriza o conjunto de arquitetônico de praça. Apesar de possuir três portas no térreo e três janelas no andar superior, é mais largo que o terceiro e o quarto prédios. No formato de um castelinho em estilo neomedieval, suas quatro torres de enfeite fazem com que se torne bem mais alto que os demais. As três janelas possuem, cada uma, marquises em estrutura de ferro ricamente trabalhado.
Acima de janela central, um detalhe passa quase despercebido, mas mostra o esmero de quem o idealizou: a estrutura de uma cabeça de Mercúrio, deus romano do comércio, dando a estender que o prédio foi construído para esse fim. Abaixo de cada uma dessas janelas, mas três detalhes do inspirado idealizador do prédio: máscara de figuras desconhecidas canaliza as águas das chuvas através de tubos saídos das bocas dos estranhos rostos. Esse prédio abrigou The Manaos Tramways & Light, empresa inglesa responsável pelos serviços de bondes e de energia elétrica na cidade. Daí a estação ser naquele local. Em frente a esse prédio ficava um monumento com o busto do barão de Sant´anna Nery, há muito desaparecido.
O quinto prédio foi vencido pelo tempo, tendo sido demolido em data desconhecida. Fotos antigas mostram que ele teve apenas um andar. Sua frente ficava para a praça e a lateral para a Rua Tamandaré. No prédio funcionou o botequim Bolsa Universal, de propriedade de João Serra. Do sexto prédio desconhece-se a história.
Boothline e Praça do Comercio
e antigo terminal
Todos descaracterizados
Seguindo pela Rua Tamandaré, mais cinco prédios fazem parte do conjunto arquitetônico de praça, todos de descaracterizado, de acordo com observação realizada em fotos antigas, da mesma forma como estão descaracterizados os três prédios da Rua Monteiro de Souza, que fazem frente para o rio. No primeiro deles funcionou o London and Brazilian Bank Ltd., primeiro do banco a se instalar em Manaus, antes mesmo de alguma agência brasileira. Desde 1901na cidade, quando encerrou suas atividades em 1991, já estava funcionada em novo prédio na Rua Guilherme Moreira.
Ao lado direito desse prédio, um outro geminado e de mesma tipologia abrigou Scholz & Cia., do alemão Waldemar Scholz, o mesmo que mandou construir para a sua residência o palacete onde hoje funciona O Centro Cultural Palácio Rio Negro. Ficou riquíssimo com o comércio da borracha e, com o fim deste, perdeu tudo. O conjunto arquitetônico se encerra coma junção do 14º prédio ao primeiro aqui citado. Nele funcionaram os escritórios da Booth Line, empresa inglesa de navegação que operava linhas regulares entre Manaus é Europa, a cada dez dias.
Loja de Comercio
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